10.000

Esta noite a linha foi cruzada: mais de 10.000 pessoas morreram de corona em Israel, cerca de mil deles no último mês. Todos nos lembramos dos dias em que ainda contávamos o paciente número 17 e checávamos em quais ônibus ele esteve e em qual restaurante ele se sentou. Cerca de dois anos se passaram e, desde então, cansamos um pouco de todos esses números: quantos infectados, quantos vacinados, quantos em recuperação e novamente, quantos infectados com a nova variante. Mas este número redondo e nada festivo obriga-nos a parar um pouco.

No próximo Shabat, vamos ler na Torá na Parashat Shkalim, como todos tiveram que sair, se voluntariar e fazer caridade, para evitar pragas, “כִּי תִשָּׂא אֶת רֹאשׁ בְּנֵי יִשְׂרָאֵל לִפְקֻדֵיהֶם, וְנָתְנוּ אִישׁ כֹּפֶר נַפְשׁוֹ לַה’ בִּפְקֹד אֹתָם, וְלֹא יִהְיֶה בָהֶם נֶגֶף בִּפְקֹד אֹתָם. זֶה יִתְּנוּ כָּל הָעֹבֵר עַל הַפְּקֻדִים… מַחֲצִית הַשֶּׁקֶל תְּרוּמָה לַה'”.”Quando fizeres a soma dos filhos de Israel segundo os seus números, cada um dê ao Senhor expiação pela sua alma, quando forem contados; então não haverá praga entre eles quando forem contados. Isto eles darão a todo aquele que fizer a contagem: meio shekel segundo o shekel sagrado. Metade de um shekel será uma oferta ao Senhor.”

Nossos comentaristas explicam que todo mundo doava apenas meio shekel para lembrar que não está completo sem o outro. Que somos todos um tecido humano. Os últimos dois anos nos lembraram como é essencial sentir essa solidariedade, não só para com os falecidos, mas para com os doentes que têm dificuldade em se recuperar, para com os empresários (que tiveram muitos prejuízos), para com os pais que precisam lidar com essa situação e, de fato, para com todos os que foram atingidos… E quem não foi?

O jornalista Ariel Schnabel escreveu nessa noite: “Imagine o estádio Nokia (em Tel Aviv) cheio de pessoas. E agora imagine-o vazio. 10.000 mortos de Corona em dois anos. Não é popular falar sobre isso agora porque estamos no final de uma onda, porque estamos todos cansados – cada um com suas razões. Mas eles merecem ser lembrados. Sim, mesmo os idosos também, com comorbidades. Nós somos todos esses. Que sua memória seja abençoada.”

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