Mês de Kislev, a festa de Chanuká, a festa das luzes.

Na época de Chanuká, os ievanim (gregos) conseguiram invadir e profanar o Beit Hamikdash, fazendo lá dentro trabalhos impuros e indevidos. Quando os macabim conseguiram retomar novamente o Beit Hamikdash, a primeira coisa que queriam fazer era que o Cohen acendesse a menorá, que era acesa com um azeite de oliva puro, o qual era feito com a primeira gota de cada azeitona, mas os gregos também profanaram os azeites, então começaram a grande busca, quando se achou um frasco lacrado que seria o suficiente para durar 1 dias, mas então veio o milagre em que o azeite queimou durou 8 dias. Daí temos a origem do costume de acender a chanukiá durante 8 dias e de comermos comidas fritas em óleo como, sonhos e latkes.

Mas o maior milagre da festa de Chanuká foi a nossa vitória na guerra de uma minoria que não tinha exército, não tinha armas e nenhuma preparação militar contra o império Grego, que era um exército forte e gigante, armado e preparado, com elefantes grandes que eram os tanques da época, onde nossas chances de vencer eram praticamente zero.

Mas quando pensamos na festa de Chanuká lembramos o milagre da guerra na reza, mas esse não é o grande símbolo da festa, uma vez que nós acendamos as velas, que representam a festa das luzes.

Mas e se o maior milagre mesmo foi a guerra, porque lembramos justo das luzes?

Nós yehudim não saímos para guerra armada para atacar ninguém, não temos interesse de fazer mal a ninguém e destruir o lindo mundo que Hashem nos deu. Quando precisamos nos defender, então sim temos que sair para guerra, mas por defesa e não por ataque, e não saímos sozinhos, saímos com Hashem nos ajudando e assim vencemos nossas guerras, pois somos os verdadeiros soldados de Hashem.

Não comemoramos Chanuká com exposição de armas e forças militares, e sim, com luzes, pois este é o nosso trabalho neste mundo: trazer luz, aumentar a claridade, vencer a escuridão – que é uma guerra de cada pessoa através das luzes.

“Um pouco de luz espanta muita escuridão”, se entrarmos em uma caverna, num ambiente muito escuro, não vemos nada, uma pequena vela nos ilumina e mostra o que temos naquele espaço, mas além disso temos uma luz Divina que é fazer o bem, a Torá é nosso guia que nos ensina como se comportar, como pensar e como agir para sermos boas pessoas.

Às vezes temos algum familiar, algum conhecido, até algum yehudi que não conhecemos também, que está numa fase da vida escura, difícil, e nós com uma pequena chama podemos iluminar a vida de alguém, fazendo a diferença. Nossa luz pode melhorar e ajudar o mundo de alguém e com isso fazer um mundo melhor.

E isto é mais um ponto para lembrarmos quando acendemos a chanukiá, quando nos unimos com familiares ou amigos, como posso ser a luz para minha família, para meus conhecidos, para Am Israel e para o mundo.

Pensamos de forma positiva (e o símbolo da festa é igualmente algo positivo).

Vemos muitas pessoas que saíram da guerra quebradas por perderem familiares e por deixarem para trás tudo que tinham – além das lembranças dos horrores vividos. Se observarmos as famílias que conseguiram “tocar o barco para frente” e que sentiram que eles venceram os nazistas, vamos perceber que não foram aqueles que ficaram amargurados e preocupados em vinganças negativas, em destruição, mas sim aqueles que construíram suas famílias do nada, sem nada e sem ninguém, e hoje podem observar os frutos de que de um sobrevivente único de guerra já formaram-se centenas de descendentes, entre filhos, netos e bisnetos.

Nossos inimigos em todas as gerações querem nos exterminar, as vezes fisicamente, mas principalmente nos desmoralizar espiritualmente, afinal o judaísmo e a Torá são o segredo de nossa eterna existência.

Olhamos nossa história e vemos que povo por povo que tentou nos aniquilar já não estão entre nós. Eram impérios gigantes: egípcio, romano, grego… todos tentaram e ninguém nos quebrou e não vão nos quebrar! Lógico que passamos por épocas escuras e delicadas, que não podemos entender, mas podemos olhar a chama de Hashem e termos certeza de sua proteção e supervisão divina. Quanto mais tentarem nos aniquilar, mais vamos crescer e florescer, pois dentro de todos nós existe uma faísca de Hashem, uma faísca que quer fazer o correto e o bom, que quer trazer mais luz para o mundo.

E por isso não comemoramos nossas festas com símbolos de guerras e sim com símbolos positivos que mostram para nós e para o mundo que somos a essência de Hashem.

Ao acender a sua chanukiá, conte para os que estão a sua volta (mesmo pelo zoom, ou pelo telefone), quantos milagres Hashem nos fez em nossa vida. Quanta luz recebemos de pessoas queridas, e como também temos o potencial de iluminar ao próximo.

Que Beezrat Hashem em breve possamos estar juntos no Beit Hamikdash, onde a luz da menorá irá iluminar o mundo

Chanuká Sameach

Sandrinha

 

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