Bondade em meio à burocracia

Antes de partirmos para nossa Shlichut (missão) nos Estados Unidos, alugamos uma casa e um carro e matriculamos nossos filhos na escola. Fizemos tudo isso de Israel, sem estar presente. Em meio a todos os documentos oficiais americanos, um raio de luz repentinamente irrompeu: Amy Koretz.

Amy era a secretária da escola YDT e quando, numa certa manhã, uma descohecida mãe, de Israel, se dirigiu a ela para registrar seus filhos, Amy não se limitou a enviar um e-mail com a papelada que exigia o preenchimento de números de passaporte 20 vezes, bem como uma busca por certidões de nascimento originais. Ela acrescentou uma longa e comovente nota pessoal na qual incluía tudo o que ela gostaria que lhe contassem, como mãe, caso chegasse de de um lugar distante.

Ela fez uma lista do que se usa na escola (o que nós chamamos de t-shirt, não é o que os americanos chamam assim: as camisas devem ter gola), o que se come nos recreios (ainda não sabíamos o quanto eles ficariam viciados nos lanches e salgadinhos), quais livros ela poderia nos ajudar a encomendar com antecedência, como funciona a escola (cada nível tem seu próprio diretor) e como nos preparar em todos os aspectos. Uau, pensei comigo mesmo, se houvesse mais Amy Koretzes. Me lembrei tantas vezes desse gesto generoso, tanto a respeito de como me relaciono com os outros, quanto de como espero que eles se relacionem comigo. Às vezes, basta um pequeno toque pessoal, além do lado técnico de nossas interações.

Amy e eu mantivemos contato. Mesmo antes da pandemia, Amy me contou sobre seu desejo de imigrar para Israel e esta semana Amy e Eliot Koretz fizeram aliá. Eles chegaram aqui precisamente durante a semana em que lemos na porção semanal da Torá sobre Rivka, que se tornou Rivka Imeinu pela extrema bondade que ela demonstrou para com um estranho. Eliezer pede uma bebida, mas ela também dá água aos camelos e oferece hospedagem. Ela não apenas forneceu o que foi solicitado, mas foi além. Ela entendeu as necessidades completas de quem ela encontrou e tentou ajudar de todo o coração. E ela se chama Rivka Imeinu, Rivka nossa mãe, para nos lembrar, como seus filhos, de seguir seus passos.

Portanto, sejam bem-vindos, Amy e Eliot. Que maravilha que uma das moças mais simpáticas de Nova York, agora seja israelense!

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