Chodesh Iyar – אייר

As letras de Iyar são “Alef”, “Yud”, ”Yud” e “Reish”, que em hebraico são as iniciais de “Ani Hashem Rofecha – Eu Sou Hashem, seu médico (que te curo)”.

Este mês é propício para refuá shlema (pronta recuperação), eu sempre me pergunto por que quando pedimos uma bracha para alguém de refuá shlema, as primeiras reações são: – Mas está tudo bem? está passando mal? Está com dores? Foi no médico? Está em casa ou no hospital? Está tomando remédios?

Realmente sempre quando pensamos em um “doente”, em nossa tefila, pensamos no lado físico da pessoa, mas se formos analisar no shema kolenu, na reza pedimos “refuat hanefesh” (saúde emocional) e “refuat haguf” (saúde física) e não apenas física; mais do que isto, na reza falamos primeiro de “refuat hanefesh”.

Muitas vezes pensei sobre este assunto, o quanto que “refuat hanefesh” é importante; e talvez seja até mais importante que “refuat haguf”. Hoje está mais do que comprovado que muitas doenças físicas vêm do emocional, ou seja, se a pessoa está bem emocionalmente, isto já previne doenças físicas.

Mais uma coisa que sempre falo para minhas amigas e conhecidas, quem nunca teve uma dor de cabeça, uma febre alta, dor de dente ou algo mais grave que precisou de um antibiótico ou algum remédio especifico? Quantas vezes alguém disse que “até casar passa”? Quem aguenta esperar alguns dias com aquela dor dente, até entender que se você não for a um dentista ela não vai passar até se casar?

Virou tão obvio que “tem remédio” para tudo, um comprimido e “tudo se resolve”.

Mas acho que estamos pulando uma etapa; na tefila falamos de “refuat hanefesh ” e “refuat haguf”, por que normalmente pulamos direto para o “guf”, para o físico? Por que é lógico tratarmos das doenças físicas, mas não é tão óbvio tratarmos da “refuat hanefesh”? Onde o “nefesh” sumiu?

Eu gosto muito de observar as pessoas (e a mim mesma mais do que tudo), quando as pessoas vêm conversar e se aconselhar, praticamente todos os problemas que ela enfrenta hoje, ela associa a um trauma ou a algum episódio de infância ou do passado.

Estes “buracos” na alma da pessoa, são os últimos que podemos falar “até casar passa”. Quando saímos para a vida, a bagagem que vai conosco é o que vai mais nos acompanhar, estando presente em nosso casamento, influenciando nossos filhos e nossa vida!

Quando caem dentes permanentes, existem várias maneiras de tratar e cada um se aconselha observando quais as opções e qual tratamento quer fazer – deixar banguela, colocar dente postiço, implante, etc. O buraco está lá, dente verdadeiro não tem mais, e não dá para voltar o relógio para trás e o dente voltar; a pergunta é o que vou fazer agora com este espaço, como vou tratar e como vou lidar com ele. A resposta está em minhas mãos. Podemos pensar “Uf, que chato um dente postiço” e nos amargurarmos cada vez que formos comer, escovar os dentes, pensando sobre o assunto, mas a pessoa tem condições de pensar: “Baruch Hashem que eu posso comer mesmo assim”, ou “Baruch Hashem que temos como cuidar disso”.

No “nefesh” é a mesma linha de tratamento e pensamento (na minha opinião muito mais importante). Não existe no mundo uma pessoa que no emocional é 100%, que em nenhum momento da vida não teve um “buraco”. Sempre temos lembranças de algum conhecido, parente, professor, nos recreios ou nas aulas, na rua, ou em consultas, onde alguém nos deixou um “buraco emocional”.

Então me pergunto, se quando alguém cai e causa um ferimento na pele, por que corremos para tratar o machucado? Por que não deixar passar sozinho, seguindo a ideia de que “até casar passa”…, mas será que quando nosso coração, nossa alma se rasga, procuramos ajuda para “cicatrizar”? Procuramos ajuda para “tapar o buraco”? Será que existe alguém sem um buraco?

Todos têm seus “rasgos” e seus “buracos”, tem aqueles que sabem que precisam “implantar” algo, que precisam achar qual o melhor tratamento e ir atrás. Sem dúvida é um exercício cansativo, não é um comprimido que se toma e depois de meia hora faz efeito. É um trabalho árduo constante, mas que vemos frutos, e muitos frutos.

Às vezes as crianças que vivem abrindo aqui e ali não “costuraram bem suas feridas” e fica uma grande cicatriz (que não dói, mas é feia). Como podemos ver tantas crianças com pequenas dificuldades e não damos atenção suficiente? Ano que vem a classe muda, ano que vem é outra professora, ano que vem… (e parece que ele nunca vem…) e de repente descobrimos que anos após anos a base do problema era a mesma, só mudava o endereço, e esta cicatriz além de ser muito feia, ela dói… e dói para vida toda.

Está certo que temos muitos “buracos” e não dá para voltar o relógio para trás para não “machucar” e não “rasgar”, mas podemos procurar qual a melhor maneira e o melhor tratamento para cada um “fechar este buraco”. As pessoas reagem de maneiras variadas; tem gente que fica cuidando de suas feridas de forma duradoura, assim como tem aqueles que pegam suas cicatrizes e usam essa experiência para ajudar outros a evitar que façam estes “buracos” ou ensinem a lidar com eles.

Temos que ir atrás para fazer do limão uma limonada, mas essa é a nossa parte, a “ishtadlut”, o esforço. E quando fazemos nossa parte sempre devemos lembrar que quem cura de verdade é Hashem; estamos fazendo nosso trabalho, nosso exercício para Ele mandar Sua bracha e Refua Shlema, refuat hanefesh urefuat haguf para todo Am Israel.

Chodesh Tov

Sandrinha

 

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