Não é simples ser simples

Em muitos eventos de que participei, os organizadores explicaram que aquele não era um evento comum. Era algo “alternativo”, “diferente”. Certa vez, dei uma palestra em um determinado curso e, no final, os participantes perguntaram: “Todos os palestrantes nos dizem para pensar fora da caixa. Alguém disse a todos vocês para falar isso?”.

Diante do desejo (positivo em si!) de renovar e arejar, a porção da Torá desta semana coloca um importante lembrete: após a instrução para acender a Menorá, a Torá dedica três palavras apenas para dizer que Aharon HaCohen realmente fez o que foi exigido dele. “E assim fez Aharon”, está escrito. Rashi explica por que essas são as palavras da Torá: “Para enaltecer Aharon, que não mudou (o que lhe havia sido determinado).” Aharon não adicionou ou subtraiu, não inovou e não tentou fazer de outra forma, não ofereceu uma interpretação alternativa e não reformatou. ויעש כן אהרון. “E assim fez Aharon”

Agir de forma simples e inocente é algo que não é tão fácil quanto parece. Há cerca de duzentos anos, o Rabino Nachman de Breslev disse uma frase surpreendente: “Haverá momentos em que ser um homem correto e simples será inovador como ser um Baal Shem Tov (NT. precursor do movimento chassídico).” Será que estamos em um momento tão confuso e desafiador, que esses tempos já chegaram? Será que aquele que vive com honestidade e modéstia, que não reinventa tudo a cada momento, na verdade é a maior inovação?

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