Não importa o quanto você se afastou

Se eu não tivesse ouvido essa história com detalhes e nomes de pessoas reais, desconfiaria da sua veracidade. Mas Franny Weissman compartilhou comigo a seguinte história que, na verdade, começou há mais de 100 anos e terminou ontem:

“Eu fiz aliá dos Estados Unidos e me casei com Evyatar, um israelense nativo, cuja avó sobreviveu ao Holocausto. Eles sempre me contaram que os pais e dois irmãos foram assassinados em Auschwitz. Dez de seus irmãos sobreviveram e nove deles decidiram fazer aliá juntos, mas uma irmã se estabeleceu nos Estados Unidos e nunca disse a ninguém que era judia. Ela se casou com um não judeu, e nem mesmo revelou a ele a sua identidade e avisou que após a Shoah não traria filhos ao mundo. Quando sua família tentou conectar-se com ela, ela os ignorou. Ela e o marido também deixaram instruções para cremar seus corpos após a morte. Repetidamente, ouvi a história sobre a tia Adelle. Há mais de 350 membros da família agora em Israel, há quatro gerações, mas ela sempre foi a peça que faltava no quebra-cabeça.

Há dois anos, fui convidada a ir aos Estados Unidos para encontrar meninas para um programa educacional em Israel. Concordei depois que meu marido me disse: ‘Mesmo que você traga apenas uma alma para Israel, será um grande sucesso.’ Eles agendaram uma turnê de palestras para mim nos Estados Unidos, e uma das palestras foi a cinco minutos da casa de Adelle, na Flórida. Eu não pude acreditar. Cheguei na casa dela, bati na porta e perguntei por Adelle Schwartz. A governanta disse que não havia ninguém com esse nome, mas depois percebi que ela havia mudado de nome. Entrei e vi alguém que se parecia muito com seus irmãos. Eu os contactei por meio de um chat de vídeo e eles começaram a chorar em húngaro. Até a governanta chorou.

Antes de nos separarmos, segurei sua mão e disse: ‘Adelle, Hitler acabou. A guerra acabou, você tem uma família enorme, você não está sozinha. Não importa o quão longe você está. Você sempre pode voltar. Não deixe Hitler vencer. Venha a Israel para ser enterrada lá, pelo menos. ‘ Nós nos separamos emociodas e mantivemos contato. Ela que nasceu em uma família e se afastou, e eu que me juntei a esta família depois de ter nascido longe dela.

Há duas semanas, recebemos uma notificação de um advogado americano de que Adelle faleceu aos 102 anos. Acontece que ela mudou de ideia e, em vez de ser cremada, queria um funeral judaico. Esforçamo-nos para trazê-la a Israel, de onde ela se distanciou durante toda a vida. Ontem, às cinco da tarde, no Moshav Nir Etzion, seu funeral aconteceu e ela foi enterrada no terreno da família. Todos nós estávamos lá e foi uma das experiências mais formidáveis da minha vida. Vimos com os nossos próprios olhos o significado do seguinte versículo: Mesmo que os vossos exilados estejam no fim dos céus, o Senhor vosso Deus vos congregará dali e vos levará dali. (Deuteronômio 30: 4) O que meu marido me disse? Se você viajar para os Estados Unidos e trouxer apenas uma alma para Israel, será um grande sucesso.'”

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