O que temos a ver com o assunto da porção da Torá dessa semana? / A Nota Diária, Parashat Tazria-Metzorá / Sivan Rahav-Meir:

Tradução: Gladis Berezowsky e Yeshayahu Fuks

Aparentemente, não há conexão entre as duas porções que são lidas essa semana na Torá (Tazria-Metzorá) e os eventos do Yom Haatzmaut (Dia da Independência de Israel), celebrado ontem. A parashá trata longamente de uma espécie de lepra, de origem espiritual (tzaraat). Uma pessoa que falava mal de outra – era punida com aquela doença. Ela tinha que passar por um processo de isolamento, até que a tzaraat desaparecesse e ela aprendesse a lição, voltando depois para a companhia dos demais.

Mas se olharmos para a história, descobriremos que nossa cultura de fala está profundamente conectada à nossa vida independente em Israel. Maledicência, difamação, fofoca, chingamentos, ódio sem motivo – tudo isso nos leva da Terra de Israel ao exílio. Já começou no Jardim do Eden. Nossos comentaristas explicam que a serpente falou mal de D’us, Adão e Eva acreditaram nela e, portanto, pecaram. Sua punição foi sua expulsão do Gan Eden. Mais tarde, Yossef falou mal de seus irmãos. Ele traria a Yaakov histórias negativas sobre eles. O resultado – a ida para o exílio no Egito, por muitos anos. Quando finalmente deixamos o Egito, os espiões falaram mal da Terra de Israel. Em vez de escolher palavras positivas e otimistas sobre a boa terra, quase persuadiram o povo a parar de marchar em sua direção. O resultado – 40 anos vagando no deserto.

Os exemplos são muitos, e tudo isso aconteceu antes mesmo da era das redes sociais e da sua linguagem típica. O discurso político e da mídia hoje está podre. Não importa o que você pense (a favor de Netanyahu ou contra, por exemplo), a maneira como você se expressa – pode colocar em risco nossa existência aqui, juntos. Então, talvez as passagens que são lidas no Shabat na Torá sejam um sinal de alerta: se quisermos comemorar muitos mais Dias da Independência aqui, devemos lembrar: uma sociedade sem uma boa cultura de fala, uma sociedade que chinga, difama, envergonha e fofoca – não vai sobreviver. Essa é nossa responsabilidade. Shabat Shalom!

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