Pegasus e Nós

Uau, que caso! E não, esse não é a Parasha esta semana. Parece que a polícia e o Ministério Público de Israel se infiltraram, sem competência e sem motivo justificável, nos celulares de inúmeros políticos, prefeitos, jornalistas e ativistas, e isso provavelmente é apenas a ponta do iceberg. Depois dos pedidos justificados de investigação, o que podemos aprender com o aparente uso indevido do spyware Pegasus pela polícia?

1. O poder sem limites é perigoso. No final, cria-se um sentimento de arrogância, em que o objetivo santifica todos os meios. Isso é verdade em muitos casos, não apenas com policiais, advogados e promotores. Todos precisam olhar ao redor e ver onde tais impérios de poder desenfreado podem ser criados e produzir tantos mecanismos de fiscalização, transparência e dissuasão quanto possível, em todas as áreas de nossas vidas.

2. Este caso é um lembrete da nova realidade digital. De fato, não ficaríamos chocados se nossas contas bancárias ou registros médicos fossem hackeados e expostos. Grandes coisas… Da mesma forma, permitimos que nossos telefones se tornassem as coisas mais íntimas que possuímos. Apesar de ser um aparelho, na prática se tornou como que um órgão de nosso corpo. Invadi-lo é como invadir nossa mente, nossa consciência e nossa alma…

3. Uma pessoa sábia me disse essa semana, em que a invasão de privacidade fez a festa, que valeria a pena voltar ao básico e ser mais protetor de nossa privacidade. Fortalecer esse conceito. Há mais de mil anos, Rabeinu Gershon publicou restrições à conduta pessoal que incluíam a proibição de abrir a correspondência de outra pessoa. Em nosso tempo, essa proibição abrangeria acessar documentos digitais de outra pessoa, abrir o computador de outrem sem permissão, compartilhar com terceiros mensagens pessoais de outrem e ouvir uma conversa sem o conhecimento dos participantes. Viver numa sociedade em que o direito à privacidade é ainda sagrado, apesar de ter sido tão profanado.

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