Separando o joio do trigo

Na foto de perfil de Doris Yahavas, mãe de três filhos que foi morta ontem em um ataque terrorista em Beer Sheva, ela é vista ao lado do marido, com a legenda: “O povo de Israel vive” (“Am Israel Chai”).
Rabi Moshe Kribetzky, pai de quatro filhos, dirigia devotadamente o refeitório popular do Chabad (que servia refeições para pessoas carentes) na cidade. Ele andava de bicicleta quando o terrorista o assassinou. Oramos constantemente pela segurança dos emissários de Chabad na Ucrânia e aqui está um sheliach em Beer Sheva, aqui na Terra de Israel, assassinado no meio do dia.

Lora Itzchak, mãe de três filhas, tinha acabado seu dia de trabalho e havia marcado para encontrar o marido para alguns afazeres. Lora é irmã de um policial da delegacia de Beer Sheva, que foi chamado para lidar com o ataque e percebeu no caminho para o local o que havia acontecido com sua irmã.
O quarto homem assassinado, Menachem Yehezkel, de 67 anos, de Beer Sheva, cujos detalhes foram divulgados ontem à noite, também representava todo um universo, brutalmente interrompido.

A princípio, pensei que a conexão mais óbvia entre o terrível ataque e a porção da Torá desta semana era, claro, a morte dos dois filhos de Aharon HaCohen. Depois que eles morrem na parashá, a Torá fala de tristeza e luto geral: “E seus irmãos toda a casa de Israel chorarão pelo fogo que o Senhor queimou”.
Mas logo a seguir, a Parasha continua trazendo um princípio que talvez seja mais importante e relevante, face a tudo o que aconteceu ontem na capital do Negev. Não apenas houve o atentado assassino, mas também o fato do terrorista, cidadão israelense, ter trabalhado como professor na região Sul do país, era membro do ISIS, já esteve preso e foi libertado sob fiança e, de outro lado, a atitude da polícia (retenção temporária da arma) em relação ao cidadão que heroicamente neutralizou o terrorista e salvou vidas.

A parashá nos dá instruções claras e mandamentos precisos, para distinguir entre o bem e o mal no mundo: “distinguir entre o santo e o profano, e entre o impuro e o puro”. Em muitos versos que descrevem as leis da Kashrut, o que comer e o que não comer, a Torá usa termos negativos e explica que há o impuro, nojento, imundo, inválido e, por outro lado, há o kasher, bom, o certo e o puro. Não apenas no nosso prato, mas também no mundo em geral. Existe o inimigo e existe o amigo, existe mentira e existe verdade. A importância da diferenciação é repetida também no último verso da parashá: “Diferenciar entre o impuro e o puro”.

Que saibamos diferenciar.

Em memória das vítimas.

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