Um ano da primeira morte por corona / A Nota Diária / Sivan Rahav-Meir:

“Shalom Sivan, meu nome é Yael Steiner. Hoje é o primeiro aniversário do falecimento de meu sogro, Aryeh Even, que foi a primeira vítima de corona em Israel. Há um ano, não queríamos falar com a mídia, mas agora sim.

Aryeh não era religioso, e nós somos chassidim (uma das linhas ortodoxas do judaísmo). Seu filho menor, Ishay, meu marido, fez teshuvá (se tornou um judeu praticante). Depois de um ano de tanta divisão entre seculares e religiosos em Israel, à sombra da corona, acho que há um bom motivo para falar algo sobre Aryeh.

Ele foi um sobrevivente do Holocausto, que imigrou da Hungria para Israel, se estabeleceu em um kibutz e serviu na Força Aérea. Ele não sabia muito sobre o judaísmo. Ele lembrava apenas que seu avô chamava o pão de ‘hamotzi’ (benção que se faz antes de comê-lo) e sabia recitar o alfabeto hebraico com entonação chassídica.

Aparentemente, um grande hiato deveria ter se aberto entre pai e filho (quando este se tornou religioso), mas não. O oposto ocorreu! Aryeh era um pai e avô muito querido. Meu marido era muito ligado a ele e o visitava várias vezes por semana. Muito lentamente, Aryeh suavizou sua relação com a maneira como vivíamos. Por exemplo, ele começou a responder ‘Amén’ às nossas bênçãos e às de seus netos, e isso foi profundamente comovente.

Em nossa última visita que fizemos a ele com todos os netos, no asilo onde vivia, não sabíamos que aquele seria nosso último encontro. Ele pediu para nós pizzas kasher lamehadrin (alto nível de kashrut), como sempre fez questão. Com o sorriso de sempre, com carinho, com amor. Ele faleceu no Shabat, sozinho. Não podíamos estar ao seu lado por causa das restrições do corona.

Uma das memórias preciosas de que me lembro é do último inverno de sua vida. Novamente, não sabíamos que ele logo nos deixaria. Meu marido e eu estávamos caminhando na chuva que caía forte. De repente, meu marido se lembrou de uma piada que alguém lhe contara. Ele se sentiu compelido, justamente quando a chuva estava no auge, a telefonar para o pai e contar a piada. Lembro-me de dizer a ele que seu telefone iria molhar, mas ele simplesmente não conseguiu se conter. Me emocionei ao observar isso acontecer…

Que essas palavras elevem a alma de Aryeh ben Franz Efraim, a primeira vítima da corona em Israel, e que seja em lembrança de todas as outras vítimas, com uma esperança fervorosa de que a mais recente vítima da corona seja também a última.”

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